Economia e Política em Foco. Beto Menezes escreve: Um pouco mais sobre volatilidade, riscos e incerteza!

Em meio a indefinição sobre quem comandará o Ministério da Economia, o mercado financeiro (de maioria centro-direita) opera cauteloso e com grande volatilidade. Vou explicar para que o leitor entenda: um dos principais pilares da economia são as expectativas quanto aos eventos que podem ocorrer e o principal deles é para qual lado o governo irá guiar o barco econômico. Por mais que os agentes econômicos discordem das políticas do governo, eles sentem a necessidade de terem clareza de pra qual lado elas irão e, com isso, tomarem suas decisões.

Risco e retorno são duas variáveis que caminham juntas. Quanto maior o risco em que se envolve uma operação financeira, maior será o seu retorno. A incerteza de como será a política fiscal do governo Lula pressiona todos os ativos brasileiros, já que os agentes exigirão maior retorno (taxa de juros Selic) pelo ativo de menor risco, os títulos públicos, e isso pressiona as expectativas de todos os demais ativos. Se você tem o governo te pagando 13,75% ao ano, para que você vai correr o risco em outro negócio com retorno menor? Toda essa incerteza gera grande volatilidade no mercado, e o mercado é quem financia o governo com a compra desses títulos públicos.

Com a vitória de Lula, o risco institucional foi evitado, mas nada assegura a retomada do desenvolvimento econômico e, sem ele, não será possível diminuir pobreza e desigualdade. Aqueles que o apoiam, bem como a centro-direita que tem um pé atrás com ele, devem considerar que as mudanças no cenário mundial são gigantescas. Os países ricos enfrentam baixas taxas de crescimento, instabilidade financeira, inflação alta, juros mais altos (nada comparado ao nosso) e estagnação salarial por parte da classe média. Ao escolher seus ministros da área econômica, o futuro presidente estará decidindo também se o país sairá da estagnação que vivemos desde a década de 1980.

Eliberto Diniz de Menezes. Economista pela Universidade Estadual de Feira de Santana. Pós Graduação em Gestão Pública.

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