Economia e Política em Foco. Beto Menezes escreve: Nem os militares ousaram não corrigir o salário mínimo!

Reta final do segundo turno e as emoções da corrida eleitoral continuam. As falas o Ministro Paulo Guedes em desindexar o salário mínimo e as aposentadorias não caíram bem na opinião pública. Há um ditado na política que, ao tentar se explicar, você já está errado. O ministro tentou se defender argumentando que, no formato atual, o aumento corrigindo a inflação do ano anterior depende da disponibilidade de verba, não havendo trava legal para aumentos maiores que a inflação.

Tal proposta não se sustenta. O governo de Castelo Branco, no período militar, propôs corrigir o salário mínimo de acordo com a expectativa ou meta de inflação do ano seguinte. Foi muito criticado por Mario Henrique Simonsen, que fazia parte da equipe econômica, ao afirmar que a medida comprimia o poder aquisitivo dos trabalhadores sempre que se subestimasse a taxa de inflação nos 12 meses seguintes ao dissídio. É o que ocorreu nesses 4 anos de governo Bolsonaro. A inflação esteve fora da meta todos aos anos.

A proposta de 2023 enviada pelo governo ao Congresso Nacional não tem previsão de ajuste acima da inflação pelo quarto ano seguido, sob a justificativa de que não há espaço no teto de gastos, teto esse todo furado pela PEC kamikaze dos combustíveis, aumento do auxílio Brasil, vale gás e outras bondades eleitoreiras. Um clima de mal-estar se instalou na campanha de reeleição do Presidente Bolsonaro. O fator econômico pode ser decisivo nas urnas.

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