Economia e Política em Foco. Beto Menezes escreve: Bolsonaro e a autocracia representativa!

No debate do segundo turno realizado no domingo, pela TV Bandeirantes, o tema econômico ficou em segundo plano. Os dois candidatos não apresentaram soluções para dizer de onde vem o dinheiro das suas promessas de campanha. O que mais chamou atenção foi a separação dos poderes e a ideia do Presidente Bolsonaro em aumentar o número de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Foi um desastre, ao ponto do atual presidente dizer que, se reeleito, tem a possibilidade de indicar mais dois, tendo ele” 4 cadeiras” e o ex Presidente Lula “5 cadeiras”. Como se o jogo fosse esse. A república, em sua essência, está sendo jogada no lixo.

Bolsonaro se comporta como uma espécie de Luís XIV, o Rei Sol da França. Só ele e suas ideias podem brilhar. Não há uma vontade em melhorar a Suprema Corte, apenas diluir o STF; tudo é em prol do seu projeto de poder. Controlar o judiciário faz parte do roteiro dos ditadores autocratas da América Latina. Uma supressão da lógica republicana, a independência e o equilíbrio entre os poderes.

Talvez o leitor não se lembre, mas em 2019 houveram protestos por parte do atual presidente argumentando que, naquela época, o congresso que “impedia o poder executivo de trabalhar”. Na cabeça autocrata de Bolsonaro, ou as coisas caminham conforme sua vontade ou estão impedindo-o de trabalhar. O orçamento secreto fez sumir as divergências com o parlamento, mas a ideia de um governo personalista continua. Diante disso fica a dúvida: a proposta de aumentar o número de ministros do STF continua válida caso Lula ganhe a eleição?

Eliberto Diniz de Menezes. Economista pela Universidade Estadual de Feira de Santana. Pós Graduação em Gestão Pública.

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