Em Prosa e Verso Nonoi Escreve: Ao Dotô da Ciença!

Ao Dotô da Ciença
Por Noedson Valois

Seu dotô, sei qui o sinhô
É um home istudado.
Das coisa do nosso corpo
É bem cientificado.
Mais eu, cum minha sabença,
Deixo aqui o meu recado.

Cunheço bem o meu corpo
Do pé ao fio de cabelo.
E nunca quis rotulá
A bulacha do meu juieio.
E nem quebro meu licuri
Cum esse tá de tornozelo.

Cum a sua panturrilha
Num quera me impanturrá.
A batata de minha perna
Ninguém consegue arrancá.
Purque o que é meu é meu,
E não se meta a mudá.

Se tem apêndice xifóide,
Num mexa im minha ispinhela.
E sua úvula também
Num desse ni minha goela.
Fique lá cum sua Tibia,
Mais dexe a minha canela.

Esse tale de palato,
Até que é nome decente.
Mais aprindi do meu jeito
E num vô falá diferente.
É um inferno botado
No céu da boca da gente.

Num troco o meu subaco
Pela sua axila.
E nem a batata da perna
Vó trocá por Panturrilha.
E no rádio do nosso braço,
Pur onde se bota a pilha?

Em 10 de setembro de 2022.

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