Herança de luta e dignidade marcam história de agricultores familiares na Chapada Diamantina!

Uma comunidade tradicional remanescente de quilombola, fundada pelo avô de seu Genildo Oliveira de Brito, hoje prospera graças ao conhecimento técnico do neto Mateus Brito, Agente Comunitário Rural (ACR), da comunidade Queimada Nova, em Morro do Chapéu. Atualmente, o jovem é estudante do Curso de Ciências Agrárias pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), em Amargosa.

A faculdade de Mateus e seu conhecimento técnico é motivo de orgulho para seu Genildo, que hoje aprende com a assistência técnica ofertada por Mateus. “As técnicas hoje são bem diferentes das que eu aprendi com meu pai. Hoje já se faz análise de solo, compostagem, irrigação por gotejamento, tabela de precisão em relação à adubação das culturas… e eu fico bem tranquilo com as técnicas usadas por eles, porque são eles que cuidam da roça. O meu maior orgulho é saber que eles estão sempre comigo e que eu consegui dar estudo e ver o que eles se tornaram”, celebra Genildo.

A herança de luta e dedicação é reforçada pela trajetória de Mateus. Assim conseguiu se formar em técnico em Agropecuária, estudando pela manhã e trabalhando em um lava-jato à tarde e na sede do município, no início da noite, como suas primeiras experiências profissionais, mas o sonho era retornar à sua terra. “Eu me formei em técnico em Agropecuária com objetivo de voltar para a minha comunidade. Logo fui chamado por uma empresa para trabalhar em Luís Eduardo Magalhães, em uma vivência com o agronegócio, mas aquilo (trabalhar fora) me incomodava porque queria usar o meu conhecimento para voltar para a minha comunidade. Hoje, eu sou ACR com um orgulho imenso, trabalhando com pessoas com vivências próximas a minha e ajudando o meu pai nos plantios irrigados”, conta Mateus.

Todo esse esforço tem um grande incentivador, o pai Genildo. “Hoje eu faço faculdade de Ciências Agrárias, por conta do meu pai, que sempre me incentivou. A primeira coisa que ele falou e que eu levo comigo é que temos que respeitar a terra e seus recursos naturais, observar a natureza, a lua. Agradecemos a ele por sua coragem e luta”, reconhece Mateus.

Na Associação dos Produtores Remanescentes do Quilombo Queimada Nova, território Chapada Diamantina, a assistência técnica é prestada pelo Centro de Formação e Organização Comunitária (Ceforc) e pelo ACR. Além da assistência, os investimentos na comunidade, que incluem a implantação de uma nova casa de farinha e a entrega de galinheiros para a avicultura, são realizados via Bahia Produtiva, projeto do Governo do Estado, executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), com cofinanciamento do Banco Mundial.

Assessoria de Comunicação SDR/CAR

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