Em Prosa e Verso Nonoi Escreve: Vem. Aqui tem uma coisa linda!

VEM…AQUI TEM UMA COISA LINDA!
Por Noedson Valois.

Se soubessem falar, nada diriam os passarinhos. Ora, não é a propaganda a alma do negócio?
Pois bem, anunciado e propagado, todo este paraíso deixaria de ser este paraíso todo. Eles sabem que aqui é bom, mas a sábia intuição do sabiá também sabe que se você soubesse, deixaria de ser.
Um galho torto? Acerta o sabiá! É o pouso seguro; já sabia onde pisar. Ah…já sabia o sabiá!
Eu vi…mas que coisa linda!
Chegava o colibri! Tão sutil que nem beija-flor, que nem beija a flor e já vai “simbora”.
Mas que coisa linda! Eu vi!
Pequenos pássaros a gorjear entre galhos, enquanto eu, entre goles, a contemplar. Ah, uma Garrincha! Que um dia vi tanto e faz tanto tempo que vi!
Mas que coisa linda! Eu vi!
Por um momento pensei estar sentado sobre uma lagartixa. De súbito, percebo que é um jacaré. Acomodo-me em sua permissão. Estou sentado sobre uma réplica qualquer?
Aqui o inanimado tem vida e o sonho abandona o sono.
De repente, um inesperado minuto de silêncio! Sei que não se trata de homenagem póstuma; aqui se festeja a vida!
As folhas secas acumuladas sobre o chão são ornamentos naturais. Ainda bem que a “dona da casa”, a mãe natureza, não tem vassoura. Aproveito e faço a minha faxina!
Lá fora me esperam o relógio e o calendário, e assim a vida é fragmentada. São anos, meses, semanas, dias, horas, minutos e, a principal unidade de medida do tempo…o segundo.
Na soma dos segundos aqui vividos, passei mais de hora. Mas chegou a minha hora! Ora, a comida está na mesa! Pelo pão nosso de cada dia lutemos sempre!
Deixo este canto. Tenho que trocar o canto do sabiá pela voz de quem me chama para o almoço.
Os passarinhos não têm hora. Por isso, não fragmentam a vida.
Tenho que sair, mas tudo que vi segue a convidar:
Vem…aqui tem uma coisa linda!
A vida!

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