Em Prosa e Verso Nonoi Escreve: Sô Nordestino e Num Nego!

SÔ NORDESTINO E NUM NEGO
Sô caboco nordestino
Sô mermo um cabra da peste
I aprendi du Nordeste
U qui meu Nordeste tem.
Num troco meu dicumê
Pelo teu rango ô bóia
I quando tu diz tá jóia
Eu digo tá muito bem.
Já butei lenha de gancho
Mandhoca nu cassuá
Fiz corda de caroá
Butei água nu carote…
Já cumi muito preá
Cacei nambu na catinga
Bibi água de muringa
E fiz tibungo nu pote.
Já pelei porco na páia
Já fiz chiqueiro de bode
U nordestino num pode
Fugi desse triviá.
Já fui cabra bom de laço
Peguei bizerro pela venta…
Cumigo é oito ô oitenta
Num nego meu naturá.
Já inchi balai di imbu
Pitei cigarro di fumo
A nordestinice assumo
Sem inveja di ninguém.
Respeito seu todo mundo
Home minino e muié.
Du dotô ao ismolé
Tem meu respeito tamém.
Já andei di pau di arara
Butei faca na cintura
A pexeira é a cutura
Pur nóis aqui adotada.
Aqui nóis vai na budega
Pra bebê pinga da boa
Bebeno i dizeno lôa
Cum as coisa tudo rimada.
Como todo bom nordestino
Eu tamém ripito isso
Sô devoto di pade Ciço
I fié du Frei Damião.
Mais uma coisa qui mi dói
Eu digo aqui pra vocês
É vê esses nome ingrês
Nus fie de sebastião.
Si eu fô mi lembrá di tudo
Das coisa qui a gente fais
Eu vô ti dizê rapais
Qui nem dá mode iscrevê.
Si fô falá du roçado
Da luta da prantação
Sofreno a judiação
Di prantá i num coiê…
A vida aqui é sufrida
Mais u sertanejo é valente
Pois bata parma pra gente
Qui o nordestino merece.
Quando há chuva cum fartura
A coiêta vem di móio
Si inxuga a água dos óio
I di tudo qui é ruim si isquece.
Um caderno dus mais grosso
Num dava mode iscrevê
Si eu fosse falá de banguê
I tantos otos sirviço
Falá du arapuá
Dus inchu e das marimba
Dus caçote na cacimba
I us sapo nu alagadiço…
I pur eu sê du Nordeste
Dexo aqui minha gratidão
Cum muita satisfação
Estes meus verso termino.
Si eu mi perdê noutras banda
Nu Nordeste eu mi discubro
Salve oito di outubro
U dia du nordestino.
EM 08 DE OUTUBRO DE 2021.

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