Para uma boa leitura Dr. Marcio Leite escreve: O Caminho da Velhice é a Sabedoria!

Sempre defendi a ideia de que o caminho normal da velhice é a sabedoria. Quando, por um motivo ou outro, não percorremos este caminho, a psique preenche o vazio com lixo psíquico. Então vem a demência. Claro, conheço todas as teorias científicas que justificam a demência. Não estão erradas, mas penso serem incompletas (detêm-se a alterações anatômicas e bioquímicas). Os neurocientistas estudam a demência como um fenômeno apartado do enfermo que a vivencia. Não dá. Cada desequilíbrio, físico ou mental, deve ser entendido no contexto do doente. Tão somente assim podemos dar luz ao problema, a partir de sua dinâmica, não da estática. As doenças têm sempre a mesma descrição, então por que se comportam de forma desigual? O que muda o curso da enfermidade, a resposta aos tratamentos, o prognóstico? O elemento que a ciência médica ainda não controla: o ser humano. Usando a ideia junguiana, o arquétipo da sabedoria deve ser preenchido ao longo da vida com material adequado, e quando assim não se processa, invertemos para o polo da insanidade, da demência. Complementando com o pensamento de James Hillman, o arquétipo é um só (sábio/idiota). Cabe a cada um de nós, com recursos próprios, pender para um lado ou outro. Observem que misturo concepções neurofisiológicas com abordagens psicológicas, e faço-o propositalmente. No meu entendimento, é a maneira mais completa de “ver” o problema. Uma coisa é válido acreditar: mesmo nas mentes mais deterioradas pela demência, a sabedoria (a contraparte saudável) resta silenciosa e oculta em algum lugar da psique.
Marcio Leite

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