Lauro Adolfo escreve: A Casa de Dias Coelho, a capela da Soledade e outros monumentos históricos!

Morro do Chapéu é uma cidade de vocação turística, com seus sítios arqueológicos, cachoeiras, grutas, casarões históricos, avenida e ruas, que sempre foram negligenciados apesar das muitas promessas de conservação e construção de vias de acesso. Os sucessivos secretários de cultura e turismo tentaram, mas nada conseguiram de apoio nessa área. Os prefeitos, filhos da terra, não deram importância ao rico patrimônio histórico ao qual o município é detentor. Não faz muito tempo o casarão construído por Alexandre Percussor dos Santos no Parque Soledade, cuja propriedade foi denominada de Vila Amélia, foi demolido para a implantação de estabelecimentos comerciais na área. Nenhuma voz se ergueu em protesto, nem mesmo os biógrafos de Dias Coelho. Antes, Lauro Mattos já havia vendido ao Banco do Nordeste o terreno em frente ao seu casarão ao qual denominou de Vila Mattos escondendo a relíquia histórica tão bem preservada. Foi preciso então o loteamento na frente da casa do famoso coronel e da capela da Soledade, com a consequente ameaça de descaracterização do sítio histórico, para que vozes se erguessem para impedir a violação de um patrimônio que é um dos orgulhos de Morro do Chapéu. Todavia, esse pequeno trecho foi o que restou da grande área denominada Parque Soledade.

O coronel Dias Coelho inaugurou seu casarão em 1910. Tão orgulhoso ficou com seu empreendimento que determinou por lei, a demolição de algumas casas na rua Deocleciano Barreto, recém criada, para dar vista ao Parque Soledade, consequentemente, à sua residência. A área era vastíssima, abrangendo desde o apart hotel Soledade, o Banco do Nordeste, o conjunto comercial construído por Miguel Araújo margeando a atual avenida Joel Modesto, indo até a feira livre e o mercado de carnes.  Como Lauro Mattos cuja residência reside atualmente seu filho Chicão, era proprietário de quase toda a área que abrange o bairro Caixa D´Água,  é possível que tudo era de propriedade de Dias Coelho. A Vila Mattos, ficou conhecida pelo encanamento de água que Lauro Mattos implantou, trazendo o líquido diretamente da fonte a qual deu o nome ao bairro. A bica d´água da Vila Mattos ficou célebre por abastecer a população que ali vinha em busca do líquido.

Empreendedor nato, o coronel Dias Coelho construiu uma casa logo depois da capela da Soledade para abrigar um alambique onde passou a fabricar aguardente. Com seu falecimento, o alambique foi desativado por dona Maria Umbelina de Oliveira Coelho, viúva do coronel que colocou-o à venda, tendo Honório Pereira como intermediário. Em 1927 dona Maria Umbelina, adoeceu e como Honório não obteve sucesso com a venda e precisando de dinheiro para tratamento médico, ela incumbiu o dr. Moura Ferro de fazer a transação do imóvel. Logo depois o médico foi residir em Ponte Nova, ficando o alambique mais uma vez sem comprador. Logo Maria Umbelina falece e seus irmãos, tendo à frente o professor Antonio Gabriel de Oliveira, tomam conta do Parque Soledade. Naquele ano Vicente Grassi era o intendente e tinha sido reeleito para mais dois anos de mandato. Como ia se casar com uma moça residente em Jacobina, Vicente compra o casarão para abrigar o casal. Em 1930 ele renuncia ao mandato, e logo depois vai residir em Jacobina assumindo o cargo de coletor federal. Toda a área foi então comprada por Francisco Gonçalves de Mattos, abastado fazendeiro e grande negociador de diamantes.

Chico Mattos, como era conhecido, decide então fazer algumas alterações no amplo casarão onde funcionara o alambique. Desmonta a fábrica, adaptando-a para moradia de sua família. Também determinou que após seu falecimento, o imóvel ficaria de posse dos filhos homens e a casa de residência de Dias Coelho às filhas.  E assim, Jair Friandes Rocha o Manito e Coleta Mattos, após o casamento foram residir naquela casa e ali constituíram família. Depois Lauro Mattos decide dividir a casa onde residia, ficando a outra metade para dona Coleta e Manito, vez que decidiram vender o casarão de Dias Coelho aos irmãos Genésio e Heráclito Valois Coutinho. Foi então que o velho imóvel sofreu sua primeira intervenção tendo sido divido em duas partes, ficando uma para Genésio e a outra para seu irmão. Posteriormente a casa foi vendida aos irmãos Wilson e Edigar Dourado Lima que mantiveram a divisão, ficando cada um com uma metade. Um grande muro foi construído delimitando a área. Não se sabe quando, nem como foi feita a transação, mas o fato é que tudo passou a pertencer exclusivamente a Edigar Dourado Lima, atual proprietário. E ele foi fatiando a propriedade vendendo os terrenos em lotes, até restar a área em frente ao casarão de Dias Coelho e a capela da Soledade. E é essa área que está em litígio com o propósito de tomba-la como patrimônio histórico, ficando até meio sem sentido chama-la de Parque Soledade, dada as sucessivas vendas e demolições de que foi alvo.

Os temores de demolição da casa de Dias Coelho são infundados, vez que, com exceção da divisão feita por Genésio Valois e seu irmão, o imóvel mantém-se preservado em sua construção original. E depois não é preciso compra-lo para fins de tombamento, bastando promulgar uma lei proibindo qualquer alteração em sua arquitetura. Quanto ao terreno é duvidoso que ele possa ser tombado. Mas dado o alto valor monetário da área, e como o proprietário está vendendo o que restou do Parque, é óbvio que ele tem interesse em negociar. De qualquer modo, cabe ao Secretário de Cultura, Turismo e Esportes encaminhar à Câmara de Vereadores um projeto estabelecendo os limites e confrontações do sítio a ser tombado, para ser votado e encaminhado para aprovação da prefeita Juliana Araújo. Caso ocorra, será o primeiro ato voltado ao turismo em muitos anos, cabendo a prefeita essa incumbência histórica ao qual atenderá aos anseios dos admiradores de Dias Coelho.

 

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