Em Prosa e Verso Nonoi Escreve: Um Lugarzinho ao Sol!

Estar ali, naquele momento, era a realização do maior dos meus desejos. Sentia a vida a me envolver e dela me saciava. Tudo que queria era relaxar e poder fechar os meus olhinhos, sem qualquer receio ou desconfiança. Ter o domínio absoluto daquele lugar. Óbvio que se o besourinho “desse sopa” , não iria perder o petisco! Afinal, estaria apenas no exercício da chamada “cadeia alimentar”. Mas…e se eu tivesse que correr do gato? Um simples “miau” seria o suficiente para uma bela carreira.
De repente, eis que surge o “bicho homem”! Pelo mesmo processo da alimentação, até que não correria risco. Pois ele tem nojo de mim. Morreria de fome, a ter que comer-me. Entretanto, sua índole predatória faz dele um inimigo, com o qual não conseguimos dividir espaço.
Puxa! Mas teria mesmo que voltar ao esconderijo?
Sim, corri! Embalançando negativamente a cabeça e olhando para trás, desconfiada, dirigi-me à minha humilde “casinha”, onde senti-me em absoluta segurança.
Lá, em nosso cantinho, com duas ou três companheiras, na prática do consentimento involuntário, ao embalançarmos naturalmente a cabeça, num gesto afirmativo, nos irmanamos. Ora! Se “Deus nos fez comunidade pra vivermos como irmãos”!?
Ufa! Acordei!Não sou lagartixa!
O relógio me chama ao compromisso…é hora de levantar. A minha agenda está cheia e o calendário não me oferece duas datas iguais. Tenho que sair…o dia começou.
Ah! Ia me esquecendo da máscara! Afinal, não sou lagartixa! Não me dou ao luxo de esconder-me atrás das pedras. Mas…será que consigo retirar as “pedras” do meu caminho? Será que o homem deixou de ser meu inimigo?
Lagartixa não teme a sua espécie. E então! Por que este medo do meu semelhante? Por que não devo confiar na voluntariedade dos seus gestos? É que o sim, dito pelo homem, pode ser a expressão de negação da vontade.
Não, não sou lagartixa, mas levo constantes pedradas. Tenho que usar máscara e sempre me proteger do meu semelhante; não devo confiar nos voluntários gestos afirmativos; vivo assustado e tendo que correr do homem, sem ter ao menos onde me esconder.
O homem é o maior perseguidor do homem. Apesar do sobressalto, ser lagartixa é ter a garantia de um lugarzinho ao sol.
Deus…Oh, “Deusinho”! Deixa eu sonhar de novo!

Deixe uma resposta