Em Prosa e Verso Nonoi Escreve: As Andanças de Mané Pessoa! (01)

ANDANÇAS DE MANÉ PESSOA
Inicio aqui, em “Andanças de Mané Pessoa”, viagens imaginárias, passando por pontos pitorescos que circundam a comunidade de Fedegosos. Vem comigo.
Manoel Pessoa, segundo contam as pessoas que o conheceram, foi um autêntico representante do nosso folclore, pelo jeito engraçado de conversar e contar seus causos, conforme assim falava de suas experiências de “melador” e caçador:
“Mé??? Ligerim a gente inchia duas três cabaça! Cago (cágado)??? Oxe, era cada cagão! Hoje im dia, num se vê quase nada!”
Por isso, escolhi “Mané Pessoa” como personagem das “andanças” que ora se iniciam.
ANDANÇA 1-
Vô cumeçá minhas andança aqui, puru Lajedo do Timbó, qui antigamente era de seu Bié. Era onde as muié lavava ropa. Se nunca fartava água! Bebo uns dois gole d’água e arribo caminhada!
Qué sabê duma coisa? Eu vô mi picá é berano o riacho cabeça a riba! Lembrano us brejo de Ismaé, do véi Zé Migué, do véi Totoin, us pé de cana de João Miranda…Lá adiente eu saio nu camim e mi pico pru lado da Passage Seca -A Passage Seca, pra quem num sabe, é u lugá onde o Rio dus Foge (Forjos) ingruna i passa pur dibaxo du camim. A gente passa pur riba qui nem parece qui tem água ali pur baxo. Um negoço daquele só Deus mermo. Num tem ome qui faça! Vô alembrá do véi Fulosino, dus burro de Otilo….Bebo mais um tiquim d’água nu rio i mi pico.
Bom, se eu fô direto aqui puru camim, pru lado du norte, eu vô passá puru São Pedo, pura Vage da Parmera, puru Brejo du Pinto…Mas eu vô quebrá aqui pur dento. Discambá pru lado da Serra do Vento – Du Vento Du véi Dozim – passo pura Corrixia i mi mando pra Toca di Roseno. – Era lá qui us povo ia rezá antigamente! Todo dia 15 di agosto us povo ia rezá na Toca. Eta tempo bom! Chega dá sardade. – Aí eu deço di vorta, Pur riba, di veis in quando berano pra oiá as grota da Cuvuada, alembrano inté das vaca do véi Zuza. Antigamente era tanto imbu de cago, batata di perdiz, rizina di pau mole, azedinha… Condo eu terminá de decê a serra (o tombadozim), vô disgarrá pur den dus brejo de Damas (Dâmaso), Eracle (Heráclito) Aniba (Aníbal), Cazuza, Dedé, Imilo (Emílio), Geneso… i vô saí nu Bebedô. Dô uma discansadinha dibaxo du pé di gamelera, dô uma oiada na cacimba véa du Bebedô – Qui era onde us bicho bibia im tempo di seca. Qui é pur isso qui tem esse nome – i aí sigo berano u riacho. Passo nu Poço da Gia…Condo eu chegá nu açude, qui antigamente era Riacho du Lajedo, võ ficá uma urinha dibaxo daquele pé di Gonçalo, alembrano qui nus tempo véi era tudo mata di pau arto. Eta, dirrubaro inté o Pau de Pilão! Parece qui prudeceu. Aí eu tomo um bain nu açude i subo Purus currá di Jonas, di Eracle, de Geneso… I aí vô vô dá uma discansada pá dispois arribá ota caminhada.

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