Em prosa e Verso Nonoi Escreve: Pra Que presto?

PRA QUE PRESTO?
Por Noedson Valois

Quando eu era pequenino
Cabeça grande, franzino…
Travesso e muito traquino…
Eu tinha a medida certa,
Prestava pra ser menino.

Mas o tempo foi passando
E a infância ficando pra trás.
E aí, pra ser menino,
Eu já não prestava mais.
E naquela nova fase
Já prestei pra ser rapaz.

Mas o diacho do tempo
Que nossa infância destrói,
Traz sempre um novo momento,
Nova fase se constrói.
E na minha solteirice,
Já prestei pra ser playboy.

Há sempre um tempo chegado
Depois de um tempo ido.
Quando algo nos é levado,
Algo novo é trazido.
Arrumei um casamento…
Já prestei pra ser marido.

Novo momento é chegado
Quando um momento se vai.
É nova folha que brota,
Substituindo a que cai.
Nasceu meu primeiro filho…
Eu já prestei pra ser pai.

E então, na caminhada,
A mais dois pontos cheguei.
Com a chegada dos netos,
Avô então me tornei.
Prestei-me a ser bisavô
Quando bisneto ganhei.

Já prestei pra ser menino,
Pra ser rapaz, ser casado…
Ser pai, avô, bisavô….
Mas quando o fim for chegado,
Não tem pra onde correr:
Vou prestar pra ser finado.

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