Para uma boa leitura Dr. Marcio leite escreve: Feminicídio!

Muito se fala em feminicídio nesses tempos de agressividade sem controle. Agressividade entre os seres humanos; agressividade da Natureza, cansada de desmandos. Então, fico a pensar o que leva um homem a maltratar uma mulher, o ser colocado ao lado (feito de uma costela, não de osso do pé ou do crânio) para lhe auxiliar a existência. Todos viemos do aconchego de uma mulher e a outro (seio da Grande Mãe Terra) retornaremos em tempo devido. Há em cada homem revoltado contra a mulher um feminino insatisfeito, um masculino caótico, uma criança ferida. Uma ternura não externada, um colo ausente. Há em cada homem que maltrata um deserto no coração, sementes que não brotaram, sorrisos-fetos mortos. Em cada soco, empurrão, facada ou tiro contra a mulher há um pedido desesperado de socorro pela impotência, pela cegueira, pela dor de uma existência sem o entendimento do amor e da compreensão. O homem que agride uma mulher não reconhece o próprio universo, não acessa sua história e sentimentos, é uma lápide nua. Morreu sem jamais ter nascido. Viveu apartado de estrelas e sóis, flores e primaveras. O homem que fere uma mulher nunca viveu um poema. Nunca escutou um violino ou viu um pôr do sol, ainda que tenha olhado para ele muitas vezes. Aquele que humilha uma mulher ainda espera uma chance de nascer, e chora diante do pedestal da deusa que, enfim, fertilizará seu coração.

Marcio Leite

Deixe uma resposta