Em Prosa e Verso Nonoi Escreve: A Jumenta e a Moto!

A JUMENTA E A MOTO
Por Noedson Valois

Oto dia eu fui chegano
Na porta de uma budega
Pra tomá uma pinguinha,
Muntado na minha jega.
Eu apiei da jumenta
E fui amarrá a bichinha.
Amarrei num poste de luz,
Pois morão ali num tinha.

Entrei pra den’da’budega,
Dei bom dia a quem lá tava…
E ali fiquei ispiano
Tudo o qui se passava.
Tomei ali minha pinga,
Disse umas duas tuada…
Assuntano a jumentinha
Ali no poste amarrada.

Ela abanava as oreia,
Ficava ali inquieta…
Quando chegou um sujeito
Numa tale motocicreta.
Eu ali fiquei oiano
Na hora dele apiá…
Curioso e matutano:
Onde é qui vai amarrá?

Ele apiô da cangoncha,
E eu só prestano fé.
E tinha um gancho de ferro
Qui o cabra arrostô cum pé.
E aí a tale moto
Im vez de ficá amarrada,
Bastô mermo o pé-de-ferro
Mode ficá iscorada.

Eu fiquei oiano aquilo
E dizeno só pra mim:
Nesse ponto eu reconheço,
Inté que é bom sê assim!
Num carece de amarrá,
Num pricisa de cabresto…
Mas na hora de andá,
É o maió disimbesto.

Num sei muntá na peseta,
Tumém num quero aprendê.
Prifiro a minha jumenta,
Isso eu digo a vosmincê.
Mermo a bichinha num teno
Aquela trempe dibaxo,
Um poste pra marrá ela
In todo lugá eu acho.

Fiquei ali na budega
Um bom pedaço de hora.
Dispois muntei na jeguinha,
Peguei o camim e fui imbora.
E eu ali matutano,
Andano divagarim….
Cum calma ia reparano
As coisa puro camim.

Pur isso é que eu arremato
Dizeno aqui uma loa:
Muntado em minha jeguinha,
Eita que viage boa!
A jumentinha é minha
Muntaria predileta.
Num troco minha jeguinha
Por vinte motocicreta.

Deixe uma resposta