Em Prosa e Verso Nonoi Escreve: Baseado no filme Icó, a História de João Valente e Zé Baixinho!

JOÃO VALENTE E ZÉ BAIXINHO
Por Noedson Valois.
(Baseado mo filme: “Icó- A história de João Valente e Zé Baizxinho)

Este é mais um registro na história
Deste Sertão Nordestino
Marcado pelo destino
De luta e peregrinação.
Sertão de um povo sofrido
E de cabra destemido.
Devoto do Padre Cícero
E fiel do Frei Damião.

De heroísmo se faz
A saga deste Nordeste
Sertão de “cabra-da-peste”
De um povo justiceiro.
Sempre disposto a fazer
Justiça com as próprias mãos
Assim que nem Lampião
O famoso cangaceiro.

Como tantos valentões
Assim era o João Valente
A amizades indiferente
Cultivava o desamor.
Todos a ele temiam
E por onde o João passava
Por ali se espalhava
Desassossego e terror.

Era um “deus nos acuda”
Quando o João aparecia.
Tudo ali se estremecia
Muitas portas se fechavam.
Passarinho ficava mudo
Lagartixa se escondia.
Nem os cachorros latiam
Pois de medo se calavam.

Se algum vento anunciasse
Que o João estava vindo
“Credo em cruz” vixe minino”
Todo mundo a se esconder.
As pisadas do seu cavalo
Todos ali conheciam.
E até os urubus quando ouviam
Começavam a se tremer.

Todo narrador costuma
Ser um pouco exagerado.
Mas era mesmo afamado
O caboclo João Valente.
Pensava ser o mais forte
E derrota não admitia.
Para ele não existia
Nenhum rival combatente.

Lá na Vila de Icó
João Valente apareceu.
Tudo ali se estremeceu
Como se fosse um furacão.
Era o diabo que chegava
E foi aquela agonia
O povo todo corria
Com medo do valentão.

Até as galinhas, assustadas,
Correram para o puleiro.
Gente indo pro banheiro
Até pra debaixo da cama.
Era o monstro que chegava
Montado em seu cavalo.
Ninguém ousava enfrentá-lo
Por causa da sua fama.

Com presunção e arrogância
Ele entrou no bar da praça.
Ali pediu uma cachaça
Sentindo-se o dono da vida.
O pobre do budegueiro
Sem o medo disfarçar
Com as mãos a trepidar
Serviu-lhe ali a bebida.

Lá no bar também estava
No balcão, ali ao lado
Um baixote acanhado
Por Zé Baixinho conhecido.
Com sua peculiar calma
A tudo indiferente…
Nem mesmo o João Valente
Ele havia percebido.

O João Valente, porém,
Sentindo-se desafiado
Pelo jeito dissimulado
Daquele sujeito pequeno:
Como cobra cascavel
Quando prepara o seu bote
Quis aplicar no frangote
Todo o seu veneno.

Não esperava, porém,
O famoso valentão
Que o pacato cidadão
Reagisse a seu afronto.
Mas com seu jeito sereno
Sem mostrar qualquer temor
Ele provou ao agressor
Que ao combate estava pronto.

O valentão, “cuspindo brasa”
De maneira resoluta
Partiu então para a luta
E investiu contra o moço.
Não via naquele baixote
Nada que ele temesse.
Esperava que o vencesse
Sem empreender tanto esforço

Porém há sempre um momento
Em que o caído se levanta
O pigmeu se agiganta
E o fraco se fortalece.
Zé Baixinho, naquela hora,
Astuto e combatente
Mostrou para o João Valente
Como é que o pequeno cresce.

Com astúcia e habilidade
Do agressor se esquivava.
E os golpes revidava
Com agilidade tamanha.
E os poucos ali presentes
Puderam, surpresos, ver,
Que pela lei do bater.
Valente também apanha.

O pacato Zé Baixinho
Fez do valente o que quis.
Até riscou-lhe com giz
Marcando ali o local.
Porém, dando-se por satisfeito
Em ver a fera vencida
Poupou-lhe então a vida
Não dando o golpe fatal.

E dali, o João Valente,
Saiu cabreiro e abatido
Por Zé Baixinho vencido
Acabou sua valentia.
Se o matuto exigisse
Que ele ali se curvasse
E aos seus pés se ajoelhasse
De certo obedeceria..

E o Zé Baixinho tirou
A fama do valentão
Que dali saiu então
Miando e falando fino.
O pacato seretanejo
Surpreendeu toda a gente.
E o tal do jão Valente
Findou ficando mufino.

E essa foi mais uma história
Que aconteceu no sertão
O caso do valentão
Por um franzino derrotado.
Ficou provado ao João
Ali naquele momento
Que tamanho não é documento…
Já diz o velho ditado.

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