Em prosa e Verso Nonoi Escreve: Prefero de Quatro Pé!

PREFIRO DE QUATRO PÉ!
Por Noedson Valois

O povo di hoje im dia
è tudo civilizado.
I só na motocicreta
é qui qué vivê muntado.
Cavalo ninguém mais qué,
jumento nem si vê mais…
I as coisa do passado
Já ficou tudo pra trás.

Hoje só si vê zuada
di moto pra todo lado.
É o bicho qui o povo qué
mode vivê inganchado.
Dexando todo o passado
pela moda du momento.
É todo mundo muntado
nesse negoço nojento.

No passado era u cavalo
u bicho di muntaria.
Era nele qui si andava.
Pra todo canto si ia.
Muntado em cavalo hoje
quase num si vê ninguém.
Todo mundo só qué vivê
inganchado nesse trem.

Mas num mi meto a sê chique.
Qué sabê mermo o qui acho?
Eu qui num quero vivê
muntado nesse diacho!
Si é pra andá inganchado,
prifiro o meu jumento.
Num troco os trem do passado
pur esses trem do momento.

É um trem disimbestado.
Pra mode nele eu muntá,
só si bastasse um psiu
na hora de isbarrá.
Mas si a peste nem iscuta
as coisa qui a gente diz:
eu quero é qui Nosso Sinhô
mi livre dessa infiliz!

Pra mode eu querê vivê
muntado nessa lazêra,
só si desse pra eu botá
a minha sela vaquêra.
Uma boa cabeçada
com uma réde de cedém…
Qui era pra mode eu pudê
incabrestá esse trem.

Si tivesse um bom istrivo
pra mode eu pudê pisá.
Usasse um bom cochonil
insinasse a isquipá…
Eu até qui mi arriscava
A muntá nesse negoço.
Mas si num tem nada disso:
Deus mi livre desse troço!

Essa tá de motocicreta
num é transporte pra mim.
O bicho qui mi carrega
é cumedô de capim.
Dêxe eu nu meu cavalo.
e fique cum suas moda.
Ando inriba é de quatro pé
Num vô querê duas roda!

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