Para uma boa leitura Dr. Marcio Leite escreve: Flores Improváveis!

Flores improváveis

Muitas vezes tenho a sensação que meu coração se alarga e abraça todas as pessoas, até aquelas que, por um motivo ou outro, me oferecem resistência. Aprendi com estas que a vida não é um brinquedo sem consequências, mas um jogo de estratégia difícil. Entendi que viver não é a satisfação irrestrita de meus desejos imaturos, mas algo bem mais além, de difícil compreensão, coisa que terei no devido tempo. Sinto-me pertencer a todas as terras, tudo é familiar; todas as dores e sofrimentos são meus também. Sou um tapete surrado por muitos pés, uma estrada repleta de andarilhos tão desapontados quanto eu. O mundo gira e gira, eu caio, levanto, esqueço a tão buscada estabilidade e reconheço que a tontura é a razão da vida e, se eu quiser continuar – mesmo porque não me resta opção – devo aprender que ela se espalha sobre um carrossel. O amor é uma palavra gasta, estendida ao sol em varais simples, em quintais ainda mais simples, de gente que sequer sabe o que significa. Em meu jardim nascem flores que cultivo, mas nas paredes de pedra da entrada da minha casa nascem flores improváveis cujas sementes foram depositadas por quem não se dá conta, apenas age impune como o vento, espargindo sorrisos e espanto sobre a Terra (é, alguém precisa fazer isso). Isso, de flores improváveis nascem os sorrisos que hão de cevar o mundo e torná-lo habitável. Para quem não percebeu, ele ainda não é. E assim, abraço o mundo como se abraçasse um sonho possível.

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