Vale a Pena Ler de Novo. Para uma boa leitura Dr. Marcio Leite escreve: Crônica do Dia das Mães!

Crônica do Dia das Mães
(uma crônica para filhos adultos)

Um amigo, dono de blog, me pede para escrever sobre o dia das mães. Eu paro, penso, e sob o impacto da minha própria mãe, hoje uma velhinha sapeca de oitenta e oito anos, sinto o que quero escrever. Mas algo diferente, não como todas as coisas melosas que aparecem nesta ocasião, algo como as mães, visceral. Uma constante na vida de qualquer um, figura inqualificável, a experiência mãe pode ou não ser boa. Na maioria das vezes é. Já vivi o bastante para entender que isso não é uma regra sem exceções, desencantei. Tive muitos pacientes cuja principal questão era o conflito com suas mães. Esse é o mundo. Por que achamos que a relação com a mãe tem que ser perfeita? Arrisco uma resposta: em se tratando de mãe, vemos sempre a coisa de um ponto de vista infantil, pouco evoluímos ao longo da vida, como uma questão delicada que não queremos mexer. Lamentamos desnecessariamente uma ponta de desacordo, uma falha de comunicação. Em resumo, exigimos demais de nossas mães, que sejam perfeitas, maravilhosas… Mães!
Não dá. A vida é arrumação, evolução, erros e acertos; a vida trespassa nossas mães de carne e osso. Erram, por que não? E quando envelhecem viram filhas muitas vezes, dão trabalho, testam nossa paciência. Cobram um pouquinho do muito que fizeram. É tempo de devolver. Nós a amamos. Amamos por tudo, apesar de tudo. Qualquer mancha, desentendimento, opinião divergente, se diluirá no imenso caldeirão de amor de onde saímos, ilesos ou não, para o mundo cá fora. Não, não são perfeitas, são as mães que precisamos, na medida certa das nossas necessidades de aprendizado. São nossas companheiras de viagem, seres amorosos que nos acompanham a vida, anjos-da-guarda. Pensemos um pouco menos biologicamente. A mãe nos doa a genética, natural mecanismo de perpetuação da espécie, e também amor, conhecimento, experiência, do jeito dela, do jeito que é capaz. Mas elas têm limites, não sabem tudo e não precisam saber. São perfeitas sendo imperfeitas. Nosso olhar de meninas e meninos desmamados é que nem sempre permite enxergar. Por isso é que hoje, vésperas do Dia das Mães, dedico essa crônica, particularmente, àqueles que não tiveram uma imaculada experiência de mãe.

Marcio Leite

(Há dois anos Mami retornou à Pátria Espiritual, ficaremos um tempo sem nos ver. Em sua homenagem, dedico esta crônica, escrita há cinco anos)

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