Procurador diz que ‘o governo Bolsonaro ainda não começou’

O procurador de Justiça Rômulo Moreira, que atua perante o Ministério Público da Bahia (MP-BA), fez duras críticas ao governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Para o baiano, o chefe do Executivo Federal não tem apresentado bons resultados efetivos nos primeiros três meses de atuação. “Acho que o governo nem começou. Vamos chegar aos famosos 100 dias de governo, que é quando se pode fazer uma avaliação melhor. O que é que aconteceu no país efetivamente de apresentação de propostas? Absolutamente nada. Quais são os dois pilares do governo Bolsonaro? A Reforma da Previdência, que provavelmente não vai sair nos termos em que foi proposta e esse pacote anti-crime do ministro Sérgio Moro. Mais nada. Não vejo governo”, avalia.

Para Moreira, Bolsonaro só tem demonstrado até agora inabilidade política. “O que você observa é uma série de trapalhadas, capitaneadas pelo próprio presidente, pelos filhos dele e por vários ministros – para citar dois, Damares Alves [Direitos Humanos] e Ricardo Vélez [Educação]. O governo que tem como guru um sujeito como Olavo de Carvalho, que se diz filósofo. Ele nem filósofo é. Ele não tem nenhuma formação acadêmica. Ele é astrólogo, sem nenhum desrespeito a astrologia, mas um sujeito se intitular filósofo e professor sem ser. Esse sujeito inclusive nomeou gente para o Ministério da Educação. O Ministro das Relações Exteriores [Ernesto Araújo] também foi indicado por ele. Qual é a política hoje em termos de relações internacionais no Brasil? Nenhuma. Esse ministro das Relações Exteriores é sem nenhuma competência para estar no cargo”.

O procurador também destaca que há uma certa dose de incultura do Palácio do Planalto a respeito sobre o que é velha e nova política. “Não vejo governo. Não há nada de efetivo tomado pelo Poder Executivo. Uma falta de articulação nenhuma. Eles ficam confundindo o que estão chamando de velha política com uma coisa absolutamente necessária no regime presidencialista: a articulação política. Não se governa os poderes executivos Federal, Estadual e Municipal sem articulação política com o parlamento”.

Rômulo Moreira também destacou a influência negativa que os filhos de Bolsonaro exercem no governo. “Ele [Bolsonaro] não ouviu a ala militar que pediu para que ele controlasse aos filhos, que pedisse aos filhos que parassem de tuitar. É muito complicado, viu. Acho que vamos viver momentos bem difíceis. E desgraçadamente o cara foi eleito pelo povo, tem legitimidade. Vamos ter que aguentar esse negócio aí”(Tribuna)

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