Para uma boa leitura Dr. Marcio Leite escreve: Transmute-se!

Quando nascemos pegamos carona nas ideias e ideais da geração que nos acolheu. Supostamente vindos do “vazio”, absorvemos o mundo tal qual ele é, e durante um bom tempo acreditamos ter verdades prontas. Não nos damos conta que mergulhamos no processo dinâmico de um mundo em constante transformação. À medida que crescemos vamos tirando nossas próprias conclusões a respeito das coisas e assim contribuímos para uma lenta modificação de paradigmas. Ao que parece, a Natureza é essencialmente migratória e a experimentação é a base das mudanças. Olhamos o mundo e ficamos tristes porque a percepção de que “tudo muda o tempo todo” ainda não é a nossa rotina. Precisamos de segurança e a instabilidade sob nossos pés conceituais não é confortável. Mas é assim que as coisas são. Nem todas as ideias mudam num sentido positivo, pela nossa ótica. Muitas parecem retroceder, angustia-nos quando olhamos pela janela e vemos o mundo em ruínas: violência, miséria, desagregação social, individualismo e intolerância. Tudo isso é lamentável para quem compreende, ao menos intui o caminho que as coisas devem seguir. Qualquer tentativa não evolutiva ensaiada pela Natureza desaparecerá após experimentação em uma ou muitas gerações. A espécie humana, junto às demais com as quais compartilha essa experiência controlada chamada Terra, seguirá seu inexorável curso evolutivo, lento e gradual, com aparentes retrocessos, mas é inegável o quanto já avançamos se fizermos uma retrospectiva histórica. Naturalmente os nossos diferentes aspectos, nossas subnaturezas, não se modificam forçosamente no mesmo ritmo, há descompassos, razão pela qual muitas vezes situamos nossa mente num plano angélico enquanto nossos pés ainda se atolam em lama pré-histórica. Somos protótipos de anjos tentando escapar de um mundo governado por demônios. Fazendo uso da própria simbologia religiosa, anjos e demônios são os mesmos em diferentes momentos históricos. Qual de nós não alberga os dois? O que quero dizer é que não devemos nos entregar ao desespero por ver coisas tão bárbaras na atualidade tecnológica e científica que ajudamos a construir. Deitemos nosso olhar sobre as muitas eras e não apenas pontualmente, preso a uma só vida. Sejamos capazes de aceitar a ideia da Humanidade como um só corpo, uma só alma, que, como cada um de seus indivíduos, nasce, cresce e morre (transmuta-se).

Marcio Leite

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