Para uma boa leitura Dr. Marcio Leite escreve: A Vida no Interior!

Viver alguns anos no interior foi uma experiência magnífica. Aprendi o que é amizade desinteressada, educação sem verniz, caráter sem melindres. Aprendi que tempo não é dinheiro, e este vale tão pouco… Ensinei meus filhos a subir em árvores (coisa que sempre me pareceu essencial), a jogar bola de gude, andar de bicicleta, colher pitangas e saber a diferença entre um cavalo e um jumento. Escutei histórias sem ordem rígida de começo, meio e fim, descobri o segredo dos quintais (as cidades pequenas parecem ser as últimas a guarda-lo). Tive tempo de olhar o céu e perscrutar seus insondáveis mistérios, responder as impressionantes perguntas dos meus pequenos. Senti o frescor do orvalho, o cheiro de mato molhado; conheci o silêncio absoluto (aquele que, de tão grande, aciona o zumbido em nossa cabeça para não perdermos a noção de que estamos vivos). Provei o melhor bolo de aipim da minha vida, e o pior também; plantei duas sacas de milho e colhi um caminhão de lagartas. Acreditei em assombração. Tive um paciente que se comunicava com as plantas e me passava remédios que elas lhe ensinavam, outro que andava em discos voadores e um terceiro capaz de viajar no tempo. Até hoje desconfio que falavam a verdade. Para eles não havia qualquer necessidade de cercas entre a realidade e a fantasia. Descobri também que no interior certas crenças não têm validade, palavra de honra não precisa ser no papel e o tempo é que é preguiçoso, não as pessoas. E que uma rede – nossa! – uma rede vale mais que um teto.

Marcio Leite

Deixe um comentário