Em Prosa e Verso Nonoi Escreve: No Fundo Somos Iguais!

NO FUNDO SOMOS IGUAIS
Por Noedson Valois

O guardanapo e o papel higiênico
Começaram uma contenda.
O motivo da discórdia
Natural é que se entenda.
Cada um no seu papel,
Ao seu ofício, fiel,
É passível que defenda.

O guardanapo exibindo
A sua missão honrosa,
De estar presente nas mesas,
Testemunhar boas prosas…
Pôs-se a se enaltecer
E ao papel desmerecer,
Por sua função sebosa.

Disse o guardanapo ao papel:
_Que triste sina, rapaz!
Não consigo me imaginar
Fazendo o que você faz.
De nenhuma boca fujo,
Mas de fazer algo tão sujo,
Eu não seria capaz.

A viver enrolado ou sujo,
Você já nasceu fadado.
Vivo em lugares chiques,
Sou muito mais refinado.
Sou elemento granfino,
Porém, moço, o seu destino
É viver discriminado.

Você nunca comparece
A festas de aniversário.
Por isso não vive, padece,
Em seu canto, solitário.
Seu mundo é triste e vazio,
Viver num banheiro frio
É mesmo o seu fadário.

Ao contrário, eu sempre vivo
Muito bem acompanhado.
Para todos os festejos
Sempre fui solicitado.
O ‘bom da boca” sou eu,
Enquanto o destino seu
É viver só…Desprezado.

Foi então que o papel higiênico
Resolveu se defender.
E disse pro guardanapo:
_Não fique a me ofender.
Não pense que eu não presto,
Limpe a boca, que o resto,
Sei muito bem proteger.

Não fique aí se exibindo,
Com a sua vaidade.
Porque eu também, meu amigo,
Tenho minha utilidade.
E a mim é confiado
O que a você é negado:
Cuidar da intimidade.

Vives a te enaltecer,
Querendo ser muito mais.
Mas onde entro, não entras,
Aonde vou, tu não vais.
Quiser saber mesmo o que acho?
Um em cima e outro embaixo…
No fundo somos iguais.

Moço, o banquete passa,
E pra onde vais, afinal?
Partilhamos o mesmo fim,
Nosso fadário é igual.
O destino, por capricho,
Leva nós dois pro lixo…
É o nosso ponto final.

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