Baixa vacinação liga alerta para dez doenças na Bahia!

Na Bahia, 47 municípios têm menos de 50% das crianças de até 1  ano imunizadas pela vacina Pneumocócica, que protege contra 70% das doenças graves (pneumonia, meningite, otite) em crianças, causadas por dez tipos de bactérias classificadas como pneumococos.

Em relação à vacina pentavalente, que protege contra difteria, tétano, coqueluche, meningite e outras infecções, 68 municípios têm menos de 50% do público-alvo imunizado. Em 53 municípios do estado, menos da metade do público-alvo foi imunizado contra sarampo, rubéola e caxumba com a vacina D1 Tríplice Viral. Os números são do Sistema de Imunização do SUS (DataSUS) e foram atualizados em fevereiro de 2018.

Segundo a Secretaria Estadual da Saúde (Sesab), os índices de vacinação abaixo de 50% para essas dez doenças é o menor em, pelo menos, dez anos.

Já a meta do Ministério da Saúde é vacinar 95% do público-alvo. Considerando essa meta, os dados mostram que a cobertura para quatro tipos de vacina também não está adequada na Bahia: a cobertura de imunização em 2017 foi de 78,1% para poliomielite, 85,1% para a tríplice viral, 78% para pentavalente e 84,4% para pneumocócica.

De acordo com a coordenadora de vigilância epidemiológica de Ribeira do Pombal, Ana Verena Andrade, existe “algum erro na transmissão dos números”. “Há uma equipe de saúde da família que faz o acompanhamento de vacinas na cidade. Além disso, recebemos a quantidade de vacina necessária para a população. Então, esses dados foram errados para o Ministério da Saúde”, argumentou, sobre a cobertura para poliomielite.

Segundo a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), o sistema de informação sobre os dados de imunização tem que estar implantado em todos as salas de vacina do estado.

“Pode haver pequenas discrepâncias, mas uma diferença dessa deve ser analisada. Vamos verificar se o município está com o sistema de informação de imunização implantado e alimentado regularmente, porque é um compromisso acordado entre as três esferas de gestão. O estado tem atuado na supervisão. Se isso não está acontecendo, deve ser revisto pelo gestor municipal”, afirma Ramon Saavedra, coordenador estadual de imunização.

Segurança

Dentre os fatores que contribuem para a mais baixa procura por vacinas nos últimos dez anos está a diminuição ou erradicação das doenças, segundo o coordenador.

“Ao que parece, a percepção de risco da população tem diminuído nos últimos anos pela falta de convívio com essas doenças, o que gera uma falsa sensação de segurança. É como se a vacina fosse vítima do seu próprio sucesso – se hoje não temos poliomielite, sarampo e temos poucos casos de caxumba, é porque as vacinas foram efetivas quando implantadas no calendário de vacinação”, diz Ramon Saavedra.

Contra a pólio, por exemplo, o Ministério da Saúde inicia, no dia 6 de agosto, a campanha nacional de vacinação.

“A vacina é prevenção. A criança pode estar com saúde agora, mas a vacina previne doenças que podem acontecer e que podem ser muito graves. O sarampo, por exemplo, pode matar, e os riscos de ter reação vacinal são muito menores”, explica ele.

* Com supervisão da editora Mariana Rios

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