Personalidades do Morro. Por Octaviano Gonçalves. Jubilino Cunegundes!

Jubilino Cunegundes, filho de Manoel Cunegundes de Souza e de Maria Rosa de Souza, nasceu no dia 20 de outubro de 1899 na Fazenda São José do atual município de Mulungu do Morro, que à época pertencia ao território de Morro do Chapéu. Ainda menino passou a residir em Bela Vista de Utinga com os seus tios-padrinhos Júlio Antônio Neto e Antônia de Souza Neto, prósperos comerciantes e fazendeiros naquela vila.

Mudou-se para a cidade de Morro do Chapéu no dia 20 de outubro de 1915, na data que completou 16 anos, para trabalhar na firma comercial Grassi & Cia, da qual foi caixeiro, escriturário e gerente de filiais por 17 anos até o fechamento da empresa, conforme escreveu Antônio Dourando no seu site www.adourado.com.br. Em 1927, com a experiência de vida adquirida na sua lide, ele começou a executar trabalhos de advocacia e, em 18 de agosto de 1931, passou a ser advogado provisionado junto ao Tribunal Superior de Justiça da Bahia. Com o fim das atividades da Grassi & Cia, passou a dedicar-se unicamente aos trabalhos forenses nas comarcas de Jacobina, Mundo Novo e Morro do Chapéu até o ano de 1984.

Escreveu Antônio Dourado, descendente da família Lopes da nossa terra, que o ainda moço Jubilino Cunegundes por incentivo dos coronéis Antônio de Souza Benta, João Belitardo e Augusto Ribeiro, iniciou na política de Morro do Chapéu ao assumir o cargo de secretário no diretório de um partido político recém-criado no município, cuja indicação não fora somente pela sua reconhecida competência, mas também, em razão da sua boa caligrafia. Este posto foi o primeiro passo para ele mais na frente tornar-se líder político do município. A partir de então, elegeu-se conselheiro e vereador entre 1926 a 1973 menos no período do Estado Novo. No percurso dessa longa e vitoriosa carreira política, ele fez parte do Conselho e da Câmara Municipal em dez legislaturas, assumindo todos os cargos da sua mesa. Com o falecimento do líder Coronel Souza Benta em 1946, ele ficou à frente do PSD, elegendo quatro candidatos a prefeito por 20 anos seguidos, tonando-se a maior liderança política do município por três décadas. Sabiamente dizia ele que não tinha vocação para administrar, preferindo indicar e apoiar os seus amigos correligionários para a disputar e exercer o cargo de prefeito.

Na vida social e cultural da cidade participou do grupo do Teatro Artur Azevedo, fez parte ativamente da Sociedade Filarmônica Minerva participando de algumas das suas diretorias e junto com Bellarmino Bulcão da Rocha fez uma mobilização que levantou recursos para construir o Teatro Odilon Costa que foi inaugurado em 1944. Escreveu artigos e poesias para o Correio do Sertão e, como literário, escritor, poeta e charadista os seus escritos foram publicados em algumas revistas nacionais e portuguesas, como o Almanaque Luso-Brasileiro, o Almanaque das Senhoras, o Record Charadista e o Malho do Rio de Janeiro. Foi autor do livro “Morro do Chapéu” que teve quatro edições 1976, 1981, 1989 e 1999, obra pela qual enfocou aspectos políticos, sociais, históricos e econômicos do município. Foi fundador e membro do Centro Educacional Morrense, entidade formada por destacados cidadãos do município e da região que veio fundar o Ginásio Nossa Senhora da Graça, depois Colégio, em 11 de fevereiro de 1961.

Casou-se duas vezes, a primeira em 4 de julho de 1925 com Carolina Guimarães Cunegundes com quem teve quatro filhos, entre eles, Lourival (Lourito), eleito prefeito nas eleições de 1958 e 1970. Ficou viúvo no dia 26 de março de 1937 e contraiu o segundo casamento com Aída Grassi Vasconcellos em 1939, cujo enlace não teve filhos. Faleceu em Salvador no dia 8 de janeiro de 1989, tendo sido feito o trasladado do seu corpo para Morro do Chapéu, onde nesta mesma data se deu o seu sepultamento com uma grande assistência da população local e de alguns municípios vizinhos.

Em reconhecimento à sua importância no cenário social, cultural, político e jurídico de Morro do Chapéu, no ano de 1999 foi fundado o Colégio Estadual Jubilino Cunegundes, homenagem feita pela administração municipal na gestão de Aliomar da Rocha Soares. Por todos os motivos conhecidos e as razões sabidas pela população de Morro do Chapéu, esta coluna homenageia o conceituado cidadão morrense Jubilino Cunegundes.

FONTES:

Livro “92 anos de História – Sociedade Filarmônica Minerva”. Edição Secretaria de Cultura e Turismo do Estado da Bahia. Salvador: Editora Gráfica da Bahia, 1998

Site: www.adourado.com.br;

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