casa do pao

Para uma boa leitura Dr. Marcio Leite escreve!

A propósito do Dia dos Pais.

Meu pai não está mais entre nós, digo, não compartilha desta cristalização de realidade, portanto, não sei se de alguma maneira desconhecida estas palavras chegarão até ele, embora admita a possibilidade. Por outro lado, sou avesso a sentimentalismos piegas e coisas tais, já que, neste caso, eu e minhas irmãs somos os únicos que entenderemos o que ele representou para nós, durante o tempo em que caminhou pela crosta espinhosa deste planetinha azul perdido na imensidão solitária do cosmos. Mas, não poderia me furtar ao convite emocional de escrever algumas palavras sobre este dia - o dos Pais -, mais comercial que qualquer outra coisa, cuja significância impera apesar dos pesares, e que, de uma maneira ou outra, toca a todos nós. Portanto, o que eu disser em particular, com certeza resvala aos corações de todos, já que Pai é um fenômeno universal, válido, inclusive, para quem jamais o teve revelado. Não quero me ater à ideia fugaz de pai biológico, aquele que se vai de nossos braços mal nos damos conta que crescemos, às vezes nem isso. Este é o pai fácil, ao alcance de qualquer um. Falo do pai simbólico, a matriz espiritual deixada pelo pai de carne e osso, e que nos transfigura diariamente ao longo da vida. Falo de valores perenes sobre os quais vamos assentando a argamassa de nossos próprios ideais, contribuindo, por nosso turno, para um mundo que sempre foi muito mais pai que mãe e está agora em intenso processo de mudança, de reequilíbrio das energias masculina e feminina. Logo, inferimos que mãe é tão importante quanto, mas não é o momento de falar dela. Pai é autoridade e conselho, guia e mão amiga, repreensão e ternura, estímulo e cuidado, amor e vigilância. Representa a necessária rutura do interminável aconchego materno, último adeus ao útero quente e para sempre convidativo. É ordem de partida quando o desejo é ficar, de ataque quando a fragilidade de espírito aconselha a retirada. Pai não é antagonismo de mãe, contraponto, tampouco eco inaudível, mas princípio ativo de um novo ser que desperta e cujo destino sempre lhe fará reverência.

Marcio Leite

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